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O
ensino na França: o sistema escolar
janeiro
de 2001
A República
francesa tem 60 milhões de habitantes, distribuídos
em 22 regiões na metrópole e nos 4 departamentos
de ultramar (1,7 milhão). Ela experimenta um leve crescimento
demográfico de aproximadamente 0,4% por ano. Entretanto,
o número e a proporção de jovens com menos
de 25 anos seguem uma tendência inversa de diminuição:
eles são atualmente menos de 19 milhões na metrópole,
o equivalente a 32% da população nacional, contra
40% por volta de 1970 e 35% na época do recenseamento de1990.
Assistimos portanto a um lento envelhecimento da população,
menos pronunciado entretanto que em outros países vizinhos
(Alemanha, Itália), tanto mais que o número anual
de nascimentos registra atualmente um certo crescimento.
O total de
alunos e estudantes chega a 15 milhões, ou um quarto da
população. Pouco mais de 2 milhões freqüentam
o ensino superior.
Em 1999, a
riqueza nacional (PIB) aproxima-se de 9 trilhões de francos
(1,3 trilhão de euros), o equivalente a 150.000 francos
(22.000 euros) por habitante. Deste total, pouco mais de 600 bilhões
de francos (95 bilhões de euros) destinam-se às
despesas de educação para a formação
inicial ou contínua: 7,2% do PIB. No contexto internacional,
o esforço financeiro destinado à formação
inicial nos situa em posição intermediária,
aquém dos países nórdicos (Suécia,
Dinamarca), mas claramente acima da Itália e do Japão.
A França
tem hoje 26 milhões de trabalhadores ativos, dos quais
menos de 2,5 milhões encontram-se desempregados: o índice
de desemprego acaba de cair abaixo de 10%. As atividades de formação
ocupam 6% da população ativa (cerca de 1,5 milhão
de empregos, entre os quais 1 milhão de funcionários).
Organização
do ensino escolar. A população escolar de aproximadamente
13 milhões de alunos desfruta de um sistema de ensino unificado
cujo arcabouço geral (escolas, colégios, liceus)
foi progressivamente estabelecido nas décadas de 1960 e
1970. Este sistema representou uma ruptura decisiva em relação
à ordem anterior, mais compartimentalizada e baseada em
acentuada separação entre o ensino primário
e o secundário.
Desde 1967
a escolaridade é obrigatória de 6 a 16 anos. No
primeiro grau, 60.000 escolas atendem aos alunos durante os cinco
anos que vão do curso preparatório ao 2º ano
do curso médio*. Desde a década de 1970, a França
distingue-se também por um acentuado desenvolvimento do
ensino pré-escolar: a totalidade das crianças de
3 a 5 anos vai à escola e freqüenta classes maternais.
O ensino secundário
compreende dois ciclos sucessivos. De 11 a 15 anos, quase todas
as crianças cumprem atualmente os quatro anos de formação
que levam da 5ª à 8ª série, num colégio
que desde 1975 tornou-se único. Após a 8ª série,
elas são orientadas para o ensino médio, numa das
três grandes vertentes do segundo ciclo (ensino geral, tecnológico
ou profissional). Essas vertentes preparam para os baccalauréats
correspondentes, exames de passagem ao ensino superior para os
quais os candidatos "em geral" se apresentam aos 18
anos de idade.
As orientações
(repetição, passagem à classe superior, mudança
de curso) são feitas por um procedimento que instaura em
cada estabelecimento um diálogo entre a instituição
escolar (professores, admininstração) e as famílias
e os alunos. Se os professores dão sua opinião num
conselho de classe, os pais de alunos podem recorrer de uma decisão
que não lhes convém e exigir, segundo o nível
de adiantamento, uma promoção em lugar de uma repetição
ou uma repetição no lugar de um curso não
desejado. Em cada estabelecimento, um corpo especializado de conselheiros
de orientação ajuda os alunos, os pais e os professores
a resolver os problemas.
Atualmente,
a 3ª classe constitui, no fim do colegial, a primeira etapa
importante de orientação.
A grande maioria
dos alunos é recebida em estabelecimentos submetidos à
autoridade do Ministério da Educação Nacional.
Mas cerca de 100.000 (apresentando diferentes deficiências)
freqüentam estabelecimentos médico-sociais do Ministério
da Saúde, e 200.000 estão ligados a estabelecimentos
agrícolas (formações técnicas e profissionais).
Finalmente, 300.000 com idade mínima de 16 anos seguem
formações de aprendizagem (contrato de trabalho)
que desde a reforma de 1987 podem preparar para todos os tipos
de diplomas profissionais.
Paralelamente
ao ensino escolar comum existe um ensino especializado ou adaptado,
que freqüentemente é integrado aos estabelecimentos
primários e secundários, como as classes de integração
escolar (CLIS) e as seções de ensino geral e profissional
adaptado (SEGPA), mas que também é dispensado em
estabelecimentos específicos (especialmente da Saúde).
Este ensino beneficia cerca de 5 % das crianças de uma
geração e visa a conduzi-las a um nível mínimo
de qualificação, o certificado de aptidão
profissional (CAP).
Os estabelecimentos
controlados pelo Ministério da Educação Nacional
podem ser públicos ou privados. O ensino privado compreende
cerca de 15% dos alunos no primeiro grau e 20% no segundo grau,
percentuais que se mantiveram estáveis ao longo da última
década. O essencial do ensino privado é constituído
de estabelecimentos católicos sob contrato de associação
com o Estado (que remunera seu pessoal). O setor privado sob contrato
congrega menos de 50.000 alunos, contando com uma forte participação
financeira das famílias.
A divisão
das competências (voltar
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País
de marcada tradição centralizada, república
que construiu e consolidou sua identidade através de uma
escola incumbida de formar os futuros cidadãos, a França
conserva um sistema de ensino submetido ao controle dominante
do Estado. Ele preserva atribuições fundamentais
na definição e na aplicação da política
educacional e dos programas nacionais de ensino. Incumbe-se do
recrutamento, da formação e da remuneração
dos professores, a maioria dos quais são funcionários,
formados nos institutos universitários de formação
dos mestres (IUFM). Estes institutos, criados em 1991, recebem
tanto os candidatos ao ensino de primeiro grau (professores das
escolas) quanto os futuros professores de segundo grau (certificados
e agregados), que acumulam ao fim de sua formação
cinco anos de estudos posteriores ao baccalauréat. Desde
1808 o símbolo do diploma nacional anônimo é
o baccalauréat, que ao mesmo tempo arremata os estudos
secundários e fornece o passaporte de entrada no ensino
superior. Desde o início do século, a própria
formação profissional desenvolveu-se sob o controle
do Estado, que optou por "escolarizar os aprendizados "
: as qualificações adquiridas são atestadas
pelos primeiros diplomas que vêm a ser o certificado de
aptidão profissional (CAP) e o diploma (brevet) de estudos
profissionais (BEP).
O Estado é
o maior financiador dos gastos de educação (cerca
de dois terços do total de 600 bilhões de francos),
representando sobretudo despesas de pessoal. Ele contribui igualmente
com ajudas financeiras diversas, sob a forma de bolsas, subvenções,
etc…
As regiões
dispõem de maiores poderes (voltar
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Há
dez anos, entretanto, a França empenhou-se num duplo movimento
de desconcentração e descentralização.
No que diz respeito à educação, este movimento
proporcionou maior diversidade e flexibilidade organizacional
a um sistema de ensino por demais uniforme e mesmo monolítico.
A desconcentração
consiste em conceder maiores poderes às autoridades administrativas
regionais ou locais submetidas à autoridade do ministro.
Nem tudo já agora é decidido em Paris ou nos gabinetes
ministeriais. Os reitores, incumbidos do funcionamento da escola
em cada uma das 30 zonas geográficas sob sua responsabilidade
(academias), recebem anualmente da administração
central as verbas orçamentárias globais, cuja destinação
aos diferentes estabelecimentos é providenciada por eles
mesmos (na forma de dotações horárias globais).
Desde 1999, a "desconcentração do movimento
dos professores" redundou na atribuição aos
reitores da responsabilidade nova e importante de assegurar as
transformações e mudanças de atribuições
internas a sua academia.
No plano local,
este movimento também redundou em maior liberdade e maior
margem de manobra para os "atores locais ", especialmente
os diretores de estabelecimentos. Ao contrário das escolas,
os colégios e liceus tornaram-se estabelecimentos públicos
locais de ensino (EPLE), dotados de personalidade moral e autonomia
financeira. Também foram progressivamente adquirindo autonomia
pedagógica, que se traduz na forma de "projeto de
estabelecimento", definindo as modalidades especiais de desenvolvimento
dos objetivos e programas nacionais, que lhes permitem adaptar-se
à população escolar que os procura e melhor
atender a suas necessidades específicas.
As leis de
descentralização de 1982 e 1983 contribuíram
além disso para reforçar sensivelmente o papel das
coletividades territoriais eleitas, ou seja, das assembléias
regionais, departamentais e comunais que dispõem de orçamentos
próprios consideráveis. Elas participam atualmente
do financiamento de 20% das despesas totais de educação.
Cada coletividade
é incumbida de um nível de ensino. As comunas têm
a responsabilidade da criação das escolas (maternais
e primárias) e de sua gestão orçamentária,
incumbindo-se de remunerar seu pessoal não docente. Os
departamentos são responsáveis pela manutenção
e a construção dos colégios, financiando
o transporte escolar. As regiões exercem as mesmas competências
no que diz respeito aos liceus, participando do planejamento escolar
(plano regional de formações, programa de previsão
de investimentos).
As principais
tendências e mudanças (voltar
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Nas últimas
décadas, o sistema educativo francês passou por profundas
mudanças quantitativas. Nos anos 60, verificou-se a generalização
brutal do acesso dos alunos ao ensino secundário, que provocaria
uma autêntica "explosão" dos efetivos colegiais.
Em 1985, o anúncio da meta de conduzir 80 % dos jovens
ao nível do baccalauréat até o fim do século,
reafirmado na lei de orientação de julho de 1989,
provocou um segundo abalo. Os liceus e depois deles o ensino superior
abriram-se à maioria. Hoje, são cerca de 70% os
jovens que chegam ao fim do ensino secundário, seja nos
estabelecimentos de educação nacional seja nos liceus
agrícolas ou dentro do estatuto de aprendiz. Esta proporção
quase dobrou num período de 15 anos, com especial desenvolvimento
dos cursos tecnológicos e profissionalizantes (que reúnem
respectivamente 30% e 18% dos formandos da classe 2000 do baccalauréat,
52% dos quais admitidos em séries gerais).
Já
previsto na lei de orientação, um outro grande objetivo
também foi incluído na lei qüinqüenal
de dezembro de 1993, relativa ao trabalho, ao emprego e à
formação profissional. Ela estabelecia como princípio
que "todo jovem deve receber antes de deixar o sistema educativo,
e qualquer que seja o nível de ensino atingido, uma formação
profissional ".
As estatísticas
anuais sobre o número de jovens que concluem seus estudos
e sobre sua repartição segundo o nível de
formação alcançado mostram o alcance dos
progressos realizados neste terreno. A proporção
dos formandos sem nenhuma qualificação reconhecida
(ou seja, sem ter pelo menos chegado ao ano final de uma formação
profissional curta) passou de aproximadamente um terço
na década de 1960 a menos de 10% na de 1990.
Depois de
dez anos de ensino obrigatório, a escola deve hoje assegurar
a todos a aquisição de competências não
apenas escolares, mas também profissionais, sem permitir
que uma fração de jovens, ainda que reduzida, fique
despreparada para sua futura vida adulta e ativa.
O
nível de formação dos jovens é cada
vez mais elevado (voltar
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A década
de 1990 perfila-se assim com uma dupla característica.
Ela assiste ao advento de um ensino de massa, que permitiu elevar
consideravelmente o nível de formação das
jovens gerações, e portanto do conjunto da população.
Uma criança que entra hoje para o maternal tem a expectativa
de freqüentar a escola em média durante 19 anos, ou
3 anos mais que seus próprios pais. A proporção
de bacharéis numa geração chega atualmente
a 62%, contra apenas 24% há um quarto de século.
E no ensino superior, ao qual tem acesso já agora mais
da metade dos jovens franceses, o número de estudantes
foi multiplicado por sete no espaço de três décadas
(de 300.000 a 2,1 milhões).
Esta escolarização,
que tende a estabilizar-se num nível alto, é acompanhada
de um sensível decréscimo demográfico, em
razão da queda de nascimentos registrada a partir do meado
da década de 1970. Ela acarreta portanto - e é este
um outro fato marcante - um recuo generalizado dos efetivos escolares,
já antigo no ensino fundamental e mais recente no médio
e no superior.
Esta trégua
demográfica, conjugada à preservação
e mesmo ao reforço dos meios educativos, especialmente
em matéria de número de professores, permitiu melhorar
as condições de admissão dos alunos e seu
índice de aproveitamento. O progresso é particularmente
visível no primeiro grau, beneficiado com uma redução
regular do tamanho das classes, que têm hoje em média
26 alunos no maternal e 23 no fundamental, contra 40 e 30, respectivamente,
na década de 1960.
Os
problemas atuais (voltar
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Os avanços
da escolarização abriram as portas dos colégios
e dos liceus à maioria. Permitiram a novas categorias de
crianças, provenientes em especial de meios sociais desfavorecidos,
alcançar níveis de formação dos quais
encontravam-se anteriormente afastadas. Mas para garantir um ensino
comum e as mesmas oportunidades de êxito escolar a todos
os jovens, qualquer que seja o meio em que vivam, este movimento
de democratização cria novas dificuldades,.
A amplitude
dos progressos quantitativos não deve ocultar a persistência
de um "núcleo duro" de fracasso escolar, não
raro evidenciado já nos primeiros anos de escolaridade,
e que tradicionalmente é "sancionado" em nosso
sistema educativo através de repetições e
atrasos escolares, sem que sejam encontrados sempre os meios de
corrigi-lo. Essas dificuldades precoces foram enfatizadas numa
pesquisa aprofundada feita em 1997 com alunos da 6ª série:
15% revelaram-se maus leitores, chegando 4 % deles inclusive a
situações próximas do analfabetismo. A maioria
dessas crianças terá dificuldade de superar esta
deficiência. Alguns anos depois, estarão entre os
jovens que se formarão sem qualificação,
voltando a manifestar por volta dos 17 ou 18 anos graves lacunas
em testes realizados durante as Jornadas de Convocação
à Preparação para a Defesa (JAPD).
O estabelecimento
há mais de dez anos de provas nacionais de avaliação
dos progressos escolares, em francês e matemática,
para todas as crianças das classes de CE2 (8 anos) e de
6ª série (11 anos), visa precisamente identificar
esses jovens defrontados com o fracasso escolar. Para garantir
uma verdadeira igualdade de oportunidades, não apenas no
acesso à escola como em matéria de êxito escolar,
é necessário intensificar o estabelecimento de dispositivos
de apoio aos alunos em dificuldades, para não deixá-los
"à beira do caminho".
A
busca de um ensino adaptado à diversidade dos alunos
(voltar
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No primeiro
grau, que deve privilegiar o domínio das linguagens, a
organização em ciclos plurianuais proporcionou maior
flexibilidade pedagógica. Ela permite levar em conta a
diversidade dos ritmos de aprendizagem. Um crédito de duas
horas semanais é reservado aos estudos dirigidos, à
assistência individualizada. Redes de assistência
especializada aos alunos em dificuldades (RASED) tomam a seu cargo
as crianças que correm maior risco.
Antes da diversificação
dos percursos escolares nos liceus, o colégio está
hoje em busca de uma síntese entre um ensino para todos,
que é uma exigência comum, e a necessária
adaptação a públicos fortemente heterogêneos,
no mínimo por seu passado escolar. O princípio de
um ensino uniforme, simples sucessão de cursos magistrais
administrados ante o mesmo grupo-classe, já não
se sustenta. A dotação de verbas para os estabelecimentos
prevê pelo menos duas horas semanais para o nivelamento
dos alunos que entram para a 6ª série, ou então
estudos dirigidos ou acompanhados na 6ª e na 5ª séries.
Mediante métodos capazes de despertar o interesse dos colegiais
e dar mais sentido a seus estudos, procura-se, nos percursos diversificados
e trabalhos cruzados, atender às dificuldades que venham
a enfrentar ante um ensino disciplinar relativamente compartimentalizado.
Da mesma forma, no ensino médio a assistência individualizada
conta duas horas semanais, em francês e matemática.
O ensino modular e os trabalhos pessoais acompanhados (TPE, estabelecidos
nas séries gerais do primeiro ciclo em 2000) visam a desenvolver
o aprendizado da autonomia.
Para ajudar
os mais desprovidos, de maneira mais geral, optou-se por desenvolver
em nosso sistema educativo uma política de "discriminação
positiva ", concretizada na dotação de recursos
suplementares aos estabelecimentos afetos à "educação
prioritária", que congregam 18% dos escolares e 21%
dos colegiais.
Além
dos conhecimentos fundamentais, necessários a todo adulto
ou cidadão responsável e autônomo, a escola
também deve preparar os jovens para o sucesso na vida profissional.
O diploma continua sendo na França um símbolo forte
e procurado; continua a contribuir em grande medida para evitar
o desemprego, e constitui um trunfo decisivo para aceder rapidamente
a um emprego estável e evoluir profissionalmente.
A ligação
entre diploma e emprego. Os jovens que deixaram a escola sem diploma
foram os principais afetados nos últimos 20 anos pelo aumento
do desemprego. Mas os mais diplomados, relativamente poupados
até então, viram degradar-se sensivelmente sua situação
vantajosa no meado da década de 1990. Desde 1998, são
eles que mais se beneficiam da melhora geral das condições
de inserção profissional.
As futuras
hierarquias sociais baseiam-se em grande medida nas hierarquias
escolares. Cinco anos após o fim dos estudos, o número
de diplomados do ensino superior exercendo uma profissão
superior ou intermediária é cinco vezes maior que
o de diplomados do secundário. E o acesso aos empregos
de profissional de nível superior, engenheiro ou profissional
liberal está mais ao alcance dos diplomados das grandes
escolas e do terceiro ciclo universitário.
Se por um
lado parece tranqüilizadora no que diz respeito ao valor
reconhecido dos certificados de escolarização, esta
constatação também é motivo de preocupação,
na medida em que as desigualdades não raro percebidas muito
cedo ainda na escola, e dificilmente superadas, deixam marcas
duradouras no destino profissional dos indivíduos. A formação
contínua, indispensável à renovação
dos conhecimentos ao longo da vida, tem sido encarada como uma
escola da segunda chance que atenua ou corrige o alcance das diferenças
legadas pela formação inicial. Mas só muito
imperfeitamente ela desempenha este papel. Da mesma forma, também
ganha terreno a idéia de que a prática profissional
constitui uma das formas possíveis de aprendizado, levando
a uma certificação equivalente às formações
escolares e superiores. Mas os procedimentos de validação
das conquistas profissionais estabelecidos pelas leis de 1985
e 1993 ainda se deparam com sérios obstáculos. Em
1998, apenas 12.000 pessoas conseguiram validar sua experiência
profissional, principalmente no ensino universitário. Atualmente,
o projeto de lei de modernização social destina-se
a completar e superar o atual esquema, de maneira a proporcionar
uma autêntica segunda chance àqueles que não
tiveram suas competências identificadas pela escola.
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