O
comércio exterior francês
janeiro de 2001
Ao longo da
última década, o comércio exterior francês
procedeu a uma notável adaptação cujo terreno
privilegiado foi o mercado europeu. Fortemente deficitárias
no fim dos anos 1980, as trocas comerciais tornaram-se superavitárias
desde 1993. A economia francesa abriu-se numa proporção
pelo menos idêntica à de seus parceiros, ao mesmo
tempo em que preservava suas partes do mercado. Uma posição,
em termos de participação no mercado, que situa
a França como quarto exportador mundial de bens e terceiro
exportador mundial de serviços. Neste contexto, o saldo
comercial francês manteve-se em 1999 em nível elevado
(113 bilhões de F - 17,2 bilhões de euros – ou 1,3
% do PIB, contra 143,6 bilhões de F em 1998), com isto
registrando superávit pelo sétimo ano consecutivo.
Este resultado assinala o caráter já agora estrutural
do saldo comercial, já que este foi alcançado não
obstante certas circunstâncias adversas: defasagem conjuntural
em relação aos principais parceiros europeus; aumento
da fatura energética; menor excedente militar.
Uma inserção
internacional bem sucedida
Capadidade
de enfrentar a concorrência
A abertura
sempre provoca temores: medo da concorrência estrangeira
para nossas empresas e das imposições que esta acarreta
em nossa política econômica. Tais temores revelaram-se
amplamente injustificados. Se entre 1970 e 1999 o percentual dos
bens importados no consumo francês (índice de penetração)
dobrou, chegando a aproximadamente 40 %, a parte exportada da
produção manufatureira francesa (esforço
de exportação) passou no mesmo período de
20% a 42 %. Uma tendência semelhante pôde por sinal
ser observada em nossos parceiros europeus. Paralelamente, as
contas externas francesas tornaram-se amplamente superavitárias
(ver gráfico 1) e a balança comercial alcançou
a cifra recorde de 160 bilhões de F (cerca de 2 % do PIB)
em 1997. Em 1999, apesar de circunstâncias adversas (fraco
crescimento alemão, alta do preço do petróleo),
o superávit comercial chegou a 113 bilhões de F
(17,2 bilhões de euros).

Gráfico
1: evolução da balança comercial da França
Se incluirmos
ainda o excedente do setor de serviços, a balança
corrente registrou um superávit de mais de dois pontos
de PIB nos três últimos anos. As "contingências
externas" sofridas pela França na década de
80 desapareceram, transformando-se numa capacidade de financiamento
apreciável que permitiu a nosso país investir ativamente
no exterior. Enquanto os investimentos estrangeiros na França
continuam a aumentar (230 bilhões de F em 1999 - 35 bilhões
de euros – um aumento de 39 % em relação a 1998),
os investimentos diretos franceses no exterior também alcançaram
no ano passado um total recorde: 543 bilhões de F (83 bilhões
de euros, ou mais de 6 % do PIB). Isto corresponde a uma progressão
de 127 % em relação a 1998.
A Europa, fator e terreno privilegiado de nossa
internacionalização (voltar
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As trocas
são antes de mais nada uma questão de proximidade.
Não surpreende, assim, que o comércio exterior francês
e os fluxos de investimentos diretos das empresas francesas sejam
prioritariamente atraídos pelo mercado europeu. Mas a amplitude
deste movimento também traduz a influência determinante
da construção comunitária, que faz hoje da
União Européia a base da inserção
internacional da França.
Este movimento
em direção à Europa diz respeito tanto aos
fluxos de investimentos quanto às trocas comerciais:
- com o desenvolvimento
do Mercado Único, a primeira grande onda de investimentos
franceses no exterior observada na segunda metade da década
de 80 dirigiu-se principalmente para os países participantes
da construção européia. A Europa tornou-se
então zona de destinação da metade de nosso
estoque de investimentos no exterior, embora represente apenas
30 % do PIB e 40 % das trocas mundiais. Paralelamente, a União
Européia é responsável por dois terços
do total de investimentos estrangeiros na França;

Gráfico
2: Divisão das exportações francesas em 1999
- nossas trocas
comerciais também se concentram na União Européia:
64 % das exportações francesas destinam-se a ela
(gráfico 2) e 61 % de nosssas importações
provêem dessa zona. Desde o advento do euro, o mercado europeu
tende a tornar-se pouco a pouco um vasto mercado doméstico
cuja estabilidade permite prevenir eficazmente nossa economia
contra certos choques externos (crise asiática, por exemplo).
A Europa também contribuiu para fazer com que a qualidade
de nossas exportações avançasse para produtos
mais sofisticados e para reforçar certos trunfos de nossa
indústria em setores como aeronáutica, automóveis,
bebidas, indústria farmacêutica, etc.
Mercados
emergentes e novas tecnologias : as novas "fronteiras"
da competitividade francesa
Se nossa especialização
geográfica e setorial foi benéfica no passado recente,
certamente precisa mais uma vez adaptar-se. Para as empresas francesas,
o desafio é duplo: posicionar-se em setores de futuro mas
também aumentar sua presença em mercados estrangeiros
que, por sua própria especialização, apresentam
um grande potencial de crescimento.
Nessas duas
frentes, com efeito, ainda podemos constatar certas vulnerabilidades:
- à
exceção dos setores da aeronáutica e da indústria
farmacêutica, a especialização da França
não é muito pronunciada nas novas tecnologias que
deverão ter crescimento rápido, seja na indústria
ou nos serviços. Assim, a título de exemplo significativo,
a Grã-Bretanha superou a França em 1997 como segundo
exportador mundial de serviços;
- a participação
da França nos mercados da Ásia e da América
Latina mantém-se na faixa entre 2 e 4 % (contra, em média,
10 % aproximadamente em seus mercados tradicionais: Europa e África),
não obstante esforços empreendidos recentemente,
especialmente em matéria de investimentos diretos. Se as
economias desses países continuaram a desenvolver-se mais
rapidamente que as outras economias, a atual posição
da França pode levar a um declínio inevitável
de sua participação no mercado global (oscilando
atualmente em torno de 5 %). Já se pôde constatar,
por sinal, que a recuperação econômica registrada
após a crise asiática beneficiou, desde 1999, mais
as empresas de certos países europeus vizinhos do que as
empresas francesas.
Tendências
mais recentes (voltar
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Uma retomada
do crescimento englobando quase todos os setores.
Se as trocas
da França evidenciam uma tendência regular à
progressão, elas são inegavelmente marcadas pelas
oscilações ligadas à conjuntura internacional.
Podemos citar, a título de exemplo, as flutuações
da atividade econômica de nossos parceiros, a evolução
da paridade entre o euro e o dólar e os preços do
barril de petróleo.
• Cifras
globais. Após um recuo acentuado no início de
1999, ligado à diminuição da atividade na
Europa e nos mercados emergentes, as trocas francesas experimentaram
uma recuperação já no segundo trimestre.
Em seguida, aumentaram nitidamente (+7,8 % de exportações
no segundo semestre de 1999 em relação ao primeiro
semestre de 1999 e +8,4 % de importações) em conseqüência
da aceleração do crescimento e das trocas mundiais.
O movimento decorreu do novo aumento das exportações,
que foi neste período de 5,9 %. Esta continuidade do dinamismo
das exportações decorre de dois fatores:
- a força
da demanda mundial dirigida à França;
- os ganhos de competitividade gerados pela valorização
das moedas anglo-saxônicas e asiáticas no segundo
semestre de 1999 e no início de 2000.
Este movimento
de retomada foi ainda mais dinâmico nas importações,
que registraram um aumento de 8,6 % no primeiro semestre de 2000,
num ritmo portanto equivalente ao registrado no segundo semestre
de 1999. Ele traduz, por sua vez, o vigor da demanda interna.
Além disso, o aumento do preço do petróleo
encareceu nossas importações.
• A evolução
por setores. As trocas do conjunto dos setores da indústria
civil experimenta uma progressão vigorosa, estando bem
orientados, na França, como em nossos principais parceiros
europeus, o consumo dos lares e a demanda das empresas. No último
período, as exportações de bens de equipamento
são as mais dinâmicas. As exportações
de automóveis continuam bem orientadas, o que reflete ao
mesmo tempo o bom comportamento do mercado europeu e o bom desempenho
dos fabricantes franceses.
Ao contrário
do que acontece com as trocas industriais, as trocas agro-alimentares
mostram-se mais estagnadas: depois de grandes vendas ligadas às
comemorações do novo milênio, as exportações
agro-alimentares acusaram uma queda sensível no início
do ano. Cabe notar, entretanto, que as indústrias agro-alimentares
esboçaram uma retomada em maio de 2000.
O peso
da fatura energética
Como não
dispõe de fontes significativas de hidrocarburos, a França
é importadora de energia. Por isto é que o aumento
da fatura energética pesou no saldo comercial em 2000,
bem mais do que em 1999. Ao longo dos dois últimos anos,
as decisões de redução da produção
de petróleo e a recuperação do consumo nos
países asiáticos acarretaram uma forte alta dos
preços do petróleo. Esta nova alta foi menos prejudicial
à economia francesa do que os primeiros choques petrolíferos,
na medida em que a França reduziu desde então sua
dependência energética, promovendo uma política
de controle do consumo e desenvolvimento da alternativa nuclear.
Como tradução desta dupla política, o percentual
de nossas importações energéticas no total
de importações foi significativamente reduzido,
passando de 28 % em 1980 a 7 % em 1999 (10 % em 1990). O aumento
dos preços do petróleo conjugou-se, entretanto,
com a valorização do dólar, causando o déficit
energético de 15,4 bilhões de F em 1999 e de 40
bilhões de F no 1º semestre de 2000 (em relação
aos seis primeiros meses de 1999). Este aumento da fatura energética
só muito parcialmente é compensado pelo aumento
de nossas exportações para os países produtores
de petróleo do Oriente Médio e Próximo, ligada
basicamente às vendas de Airbus. No período recente,
é este aumento da fatura energética que explica
a redução de nosso excedente comercial.
A confirmação
da competitividade francesa
A evolução
do saldo não deve monopolizar a atenção.
O que parece encorajador é o novo dinamismo das trocas,
escorado tanto no vigor do comércio mundial quanto na evolução
favorável da competitividade francesa em 1999.
Após
uma degradação em 1998, a competitividade dos produtos
franceses em matéria de preço melhorou pronunciadamente
em 1999. Uma melhora decorrente essencialmente da desvalorização
da taxa de câmbio efetivo real do euro. Por outro lado,
o bom comportamento dos custos salariais unitários permitiu
aos produtores franceses aumentar a lucratividade de suas exportações.
Nesse contexto,
nossa participação no mercado, em volume, é
estável em relação a nossos principais concorrentes,
mantendo-se no nível médio constatado na década
de 1990. A diminuição da participação
no mercado observada em valores (de 5,6 % em 1998 para 5,3 % em
1999) é na realidade escamoteada pelos movimentos do dólar
e do preço do petróleo. A única perda significativa
é o recuo de nossa participação no mercado
da Ásia, que se explica pelo efeito retardado da crise
asiática nas entregas de grandes contratos e pela recuperação
da competitividade das economias emergentes da região (gráficos
3 e 4).

Gráfico
3: Segmentos do mercado mundial (%) de trocas de mercadorias
Fonte: OMC; cálculos DREE 5B

Gráfico
4: Segmentos do mercado francês em relação
aos 24 países da OCDE
Fonte: DP - OCDE. Base 1995.
Mas o total
dos grandes contratos está em recuperação
na Ásia. Globalmente, ainda é em 1999 um dos três
melhores da década, graças em especial ao desempenho
do setor aeronáutico.
Um dispositivo
importante de apoio ao comércio exterior
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Apoiadas pelo
poder público, as empresas francesas também se empenham
em ampliar sua presença nos mercados mais dinâmicos.
São
três os principais instrumentos utilizados para facilitar
a expansão das trocas comerciais e dos investimentos no
exterior:
Negociações
comerciais multilaterais
Visando sobretudo
definir as regras necessárias ao desenvolvimento harmonioso
das trocas, elas são conduzidas pela União Européia
no contexto da Organização Mundial do Comércio
(OMC) e em fóruns regionais.
Apoio financeiro
Destina-se
particularmente a apoiar as pequenas e médias empresas
em suas iniciativas internacionais.
Informação
das empresas
Informações
sobre os mercados externos são postas à disposição
das empresas através do Centro Francês do Comércio
Exterior (CFCE) e da rede de Postos de Expansão Econômica
(PEE - 166 atualmente em todo o mundo). Engrenagens essenciais
do dispositivo francês de apoio ao comércio exterior,
os PEE informam e aconselham as empresas em duas fases-chave do
processo de exportação: prospecção
e implantação. Para atender às necessidades
cada vez mais específicas dos exportadores (com ou sem
experiência), a ação desses postos foi reorientada.
Empenhados em fornecer informação mais qualitativa
que quantitativa, eles tratam agora de favorecer o deslanchar
de investimentos ou parcerias. Por outro lado, esses postos desempenham
um papel importante em matéria de promoção
da imagem e dos produtos da França junto a numerosos interlocutores
dos países-alvo, sejam representantes do mundo econômico,
financeiro ou industrial. Cabe lembrar que um organismo específico
- o CFME/ACTIM - incumbe-se da promoção internacional
das tecnologias e empresas francesas. Para isto, organiza por
exemplo seminários, empenha-se pela participação
oficial francesa em salões profissionais, convida dirigentes
estrangeiros a virem à França e promove a difusão
na imprensa estrangeira de informação sobre a técnica
e os produtos franceses.
Dados essenciais
e referências
(Dados de
1999 - conjunto FAB/FAB, incluído material militar)
Total das
exportações : 1 853 bilhões de F
Total das importações : 1 742 bilhões de
F
Excedente comercial : 113 bilhões de F (17,2 bilhões
de euros)
Fonte : Alfândega
Francesa
Para
aprofundar a pesquisa (voltar
ao topo)
Os seguintes
sites da internet podem enriquecer sua informação:
www.commerce-exterieur.gouv.fr:
É o site oficial da Secretaria de Estado do Comércio
Exterior. Nele encontram-se uma apresentação geral
da política francesa de apoio ao desenvolvimento internacional
das empresas (com links para cada um dos postos de expansão),
quadros sinópticos do comércio exterior francês
e numerosos textos de referência. Este site contém
também uma seção "Empregos na exportação
" e uma relação de dados e coordenadas sobre
numerosos interlocutores.
www.cfce.fr:
Incumbido de coordenar a informação das empresas
para o comércio exterior, o Centro Francês do Comércio
Exterior (CFCE) oferece-lhes especialmente, neste site, bases
de dados (informações para uma primeira abordagem
do mercado, por exemplo) e uma livraria em linha: publicações
dos PEE e do CFCE, mas também da ONU e de organismos como
a OMC ou a FAO - no total, um catálogo de mais de 4 000
títulos exclusivamente sobre o comércio internacional
e sua conjuntura.
www.cfme-actim.com:
Para conhecer o calendário dos eventos promovidos por esta
agência (salões, grandes exposições
ou seminários). Há também uma seção
"perguntas e repostas" que indica onde encontrar ajuda
para a exportação e como expor num salão
internacional.
www.coface.fr:
A Companhia Francesa de Seguros do Comércio Exterior dá
sua contribuição às empresas assegurando
os riscos (seguro-crédito de mercado/gestão das
garantias públicas francesas de apoio à exportação).
O site apresenta sua própria atualidade, suas redes, seus
parceiros e produtos. Sem esquecer um glossário, com tudo
sobre "compradores públicos", "mandatos
contenciosos" e "riscos ambientais".
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