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A
gastronomia e
as terras produtivas na França
por Philippe Gillet* abril de 2002
O nascimento
da palavra gastronomia é mais fácil de localizar
no tempo do que a atividade que ela designa. Empregada pela primeira
vez em 1801 por Joseph Berchoux, um autor hoje esquecido, nessa
época ela significava "a arte da boa mesa". Os
humanos, que inventaram a cozinha antes da agricultura e da pecuária,
não esperaram por essa data para se interessar de perto
pelo que comiam. O surgimento dessa palavra nos primeiros anos
do século XIX também não era fortuita: uma
crescente parcela dos franceses começava a tomar consciência
então da originalidade de seu patrimônio nesse campo.
Uma
fama de longa data (voltar
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Desde meados
do século XVII, na França, a nobreza e seus cozinheiros
começaram a renovar os gostos e modos à mesa. Eles
foram os únicos na Europa a escolher de maneira tão
evidente a busca sistemática da inovação.
Sua singularidade logo se mostrou produtiva. O que chama a atenção
do historiador é a abundância e a concordância
das fontes que atestam essa originalidade francesa. Livros de
receitas revelam importantes modificações nas práticas
culinárias e alguns manuais de etiqueta atestam mudanças
profundas ocorridas na maneira de se portar à mesa.
Por fim, testemunhos
literários, memórias ou relatos de viagens, demonstram
que em menos de cinqüenta anos, entre 1650 e 1700, os franceses
das camadas sociais privilegiadas haviam adquirido a certeza de
que a sua maneira de comer era superior à dos outros povos
da Europa. O que faz perceber aí não se tratar apenas
de uma lamentável prova de chauvinismo é o fato
de um grande número de outros testemunhos, escritos por
visitantes estrangeiros vindos à França, comprovarem
que estes últimos reconhecem uma superioridade francesa
nesse campo.
Um século
mais tarde, no século XIX, os textos escritos revelam que
a Revolução Francesa não mudou grande coisa
em matéria de gastronomia, porém o contrário.
Na época, era maior o número de franceses convencidos
de sua superioridade à mesa. Os visitantes estrangeiros,
por sua vez, continuavam se mostrando inclinados a reconhecer
o prazer excepcional que sentiam em comer à francesa. Além
disso, estes últimos passaram a ser singularmente bem mais
numerosos, em decorrência das recorrentes derrotas militares
das forças francesas, o que levou um grande número
de soldados europeus a visitar a França na qualidade de
vencedores. Eles freqüentavam assiduamente os restaurantes,
que exaltavam em seguida sem reservas, particularmente no que
se refere aos primeiros grandes restaurantes.
Os grandes
restaurantes! Essa invenção francesa do final do
século XVIII ganhou força no final do século
XIX.
Uma nova clientela
freqüentava esses restaurantes tendo em mente uma idéia
de luxo alimentar reservado até então às
mesas privadas de ricos privilegiados. Ao mesmo tempo, as palavras
gastronomia e grastrônomos faziam muito pela reputação
do que elas designavam, graças, principalmente, a autores
como Grimod de la Reynière e Brillat-Savarin.
Originalmente,
a gastronomia nada mais é do que essa difusão a
um público cada vez mais amplo, no século XIX, de
uma arte de bem viver à mesa que havia sido renovada no
século XVII, no estreito círculo da nobreza francesa.
Sabores naturais, produtos frescos e elegância
à mesa (voltar
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Mas, o que
foi exatamente essa renovação, ocorrida durante
o século XVII, que concedeu à gastronomia francesa
uma reputação assim tão duradoura?
O espírito
de inovação, nessa época, era estimulado
pela nobreza. Imitando seu rei, Luís XIV, ela procurava
sempre distinguir-se do povo, mas também das outras nobrezas
européias. Esse desejo elitista de refinamento gerou um
amplo movimento de renovação dos costumes na França.
O abandono
dos sabores herdados da cozinha da Idade Média por parte
dos cozinheiros franceses situa-se nesse contexto. Eles reduziram
drasticamente o uso das especiarias, consideradas cada vez menos
como produtos de luxo. Eles pararam de empregar as misturas do
doce com o salgado e os sabores agridoces (na Idade Média,
o açúcar, produto importado, era considerado uma
especiaria). As cozinhas de outros países da Europa, em
particular as do leste e do norte, que não passaram por
essa renovação, conservam intactos até hoje
esses sabores antigos.
Os cozinheiros
franceses dos séculos XVII e XVIII também privilegiaram
o cozimento, preservando ao máximo o sabor das carnes,
o que teve o efeito de estimular o desenvolvimento de um abate
de boa qualidade. Eles exigiram dos hortelões legumes frescos
e tenros e dos peixeiros um acondicionamento irrepreensível.
Muitos exemplos
ainda existentes comprovam essas novas exigências da época:
por volta do ano 1680, a nova Horta Real de Versalhes, obra de
La Quintinie, entrou em funcionamento. Graças às
carroças puxadas a cavalo, que traziam a pesca do Canal
da Mancha a grande galope, os peixeiros parisienses estavam em
condições de oferecer peixes os mais frescos possível:
a rua Poissonnière (peixeira), que fazia a ligação
entre as portas do norte de Paris e seu centro, ainda hoje lembra,
pelo nome, essa forma particular de abastecimento.
Em suma, se
fôssemos resumir numa única frase a grande novidade
dessa nova cozinha do século XVII, poderíamos dizer
que ela privilegiava os sabores naturais dos produtos e não
os dos temperos.
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Primeira
página do "Cuisinier François", de
François Pierre, conhecido por La Varenne, cozinheiro
do Marquês de Uxelles. Esse foi o primeiro livro de
cozinha a colocar em prática as inovações
francesas surgidas no século XVII. |
A nobreza
também tratava de refinar seus modos à mesa. No
final do século XVII e no início do XVIII, generalizou-se
a individualização do serviço de mesa: para
cada comensal seu conjunto de peças. Algumas delas, como
o garfo, era de uso recente, enquanto outras eram reservadas ao
serviço dos pratos. Isso também representava uma
ruptura com os hábitos herdados da refeição
medieval, durante a qual os convivas serviam-se mergulhando as
mãos no prato comum a todos e onde cada um compartilhava
sua tábua de madeira (tranchoir) com o vizinho imediato.
Ao longo do
século XVIII, essa nova forma de convívio favoreceu
o surgimento da idéia moderna da refeição
ideal. Por um lado, ela é feita antes de mais nada com
aqueles cuja companhia nos agrada. Por outro lado, a preferência
é dada à elegância à mesa e nela degustam-se
alimentos e vinhos procurados pelo primor de sua elaboração.
Esse ideal de convívio até hoje é o que almejamos.
Os trunfos da história e da geografia
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Por que a
gastronomia se desenvolveu na França? Em primeiro lugar,
há a história: nos séculos XVII e XVIII,
o país é uma das primeiras potências européias
em população, riqueza e política externa.
Essa situação é propícia às
ambições culturais. Ela estimula também fortes
tendências hegemônicas, tanto em matéria de
cozinha quanto em outros setores. Os debates atuais provocados
pela extensão na Europa dos hábitos alimentares
norte-americanos demonstram que o problema é eterno!
Em seguida,
há a geografia da França. Ela é o mais extenso
dos territórios europeus: ela oferece terras produtivas
muito variadas, diversos tipos de clima e quatro fachadas marítimas.
Um império colonial extenso enriqueceu, durante o século,
esse contexto natural já favorecido. Um capital geográfico
como esse oferece excelentes possibilidades agrícolas e
recursos generosos. A renovação da cozinha descrita
acima privilegiava o gosto natural dos produtos e, por isso mesmo,
a valorização de suas qualidades. A união
desse movimento inovador com essa geografia fecunda deu início
a um processo duradouro de estímulos recíprocos
entre produtos específicos de cada terra e conhecimentos
culinários.
Esse traço
duradouro da cultura francesa produz aliás efeitos contraditórios.
Muitas vezes, ele gera uma defesa ardorosa por parte dos franceses
de suas tradições culinárias, mas também
estimula seu entusiasmo para incorporar novidades alimentares
vindas de outros países. Ele explica também sua
tendência a buscar, algumas vezes de maneira obsessiva,
os melhores produtos, mas caracteriza, ao mesmo tempo, seu gosto
pela valorização das experiências que possibilitam
exaltar os gêneros alimentícios mais comuns.
Os cardápios
dos grandes chefs de cozinha franceses de hoje refletem explicitamente
essas contradições. Alain Passard, por exemplo,
abandonou quase totalmente a cozinha à base de carnes,
concentrando-se na alta gastronomia dos legumes, gênero
alimentício até então considerado secundário.
Ele oferece, por exemplo, uma "alcachofra da Bretanha grelhada,
aromatizada com tília" ou "cenouras com laranja
e espinafre na manteiga salgada". Por outro lado, agora com
o estandarte dos produtos nobres erguido no mais alto nível,
Alain Sanderens e Pierre Gagnaire apresentam respectivamente um
"‘homard’ [espécie de lagosta com grandes pinças]
da Bretanha com licor Bourbon de Madagascar" e "grandes
lagostins à manteiga de nozes, com guarnição
‘royale’ de foie gras". Entre esses dois extremos, Alain
Dutournier apresenta uma clássica "perdiz vermelha
em folha de repolho tenro" ou um saboroso "pernil de
ovelha cravado de anchovas"…
A
gastronomia francesa de hoje (voltar
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Neste início
de século XXI, a gastronomia na França seria a coisa
que melhor se compartilha? Os franceses atribuem sempre uma grande
importância à sua alimentação. Mais
do que outros povos, eles formalizam suas refeições
(horários, rituais, etc.) e, sobretudo, dedicam mais tempo
a isso todos os dias. É verdade que um certo número
de visitantes estrangeiros na França conhecem melhor a
cultura gastronômica do que muitos franceses, mas vale constatar
que um francês sempre tem dificuldade de confessar suas
lacunas nesse campo. Seria um engano ver nessas confissões
difíceis outra coisa além do remorso de herdeiro
de um legado mal valorizado. É muito significativo ouvir
muitos franceses declararem que a gastronomia é uma refeição
feita fora de casa, num restaurante famoso, por exemplo, e que
a alimentação doméstica, mesmo que seja boa
e tranqüilizadora, em geral situa-se em um nível inferior.
Na França,
os modismos desempenham um papel considerável em gastronomia.
Alternam-se os recuos pusilânimes aos valores "consagrados"
dos produtos e experiências regionais franceses e a paixão
tão violenta quanto espontânea pelos mais exóticos
sabores. Resumindo, os franceses fantasiam a sua gastronomia tanto
quanto a vivem. Essa atitude serve de propulsor para a produção
de um discurso gastronômico muito rico. Encontram-se livros,
guias, revistas e sites da Internet em profusão, mas a
propaganda de boca em boca desempenha um papel considerável.
Assim, ocorre que o essencial da conversa de uma refeição
fina é dedicado a evocar os pratos degustados na véspera,
ou os que serão degustados no dia seguinte…
Produções
tradicionais: um patrimônio vivo (voltar
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Os franceses
possuem uma consciência particularmente aguçada do
valor econômico e sobretudo cultural de seus produtos da
terra. Na França, os poderes públicos vêm
animando há alguns anos uma discussão aprofundada
a esse respeito. Ela permitiu que se estabelecessem critérios,
classificando esses produtos de maneira clara.
Aprendizado
e inovação
A transmissão
do conhecimento e da experiência é indispensável
para a manutenção e o desenvolvimento da gastronomia
francesa. Mas o valor dos chefs formados na França (entre
os quais muitos estrangeiros) não pode ser medido pela
habilidade em reproduzir um repertório francês congelado
por toda a eternidade: é a sua capacidade de inovar que
mantém sua reputação. É nisso que
acredita Alain Ducasse, um dos cozinheiros franceses mais conhecidos
fora das fronteiras francesas, que considera a renovação
da pedagogia como um objetivo prioritário para o que diz
respeito ao conjunto das artes do paladar. Uma convicção
que ele pode aplicar como presidente que é do Instituto
Francês de Formação e Pesquisa sobre as Artes
Culinárias, a Gastronomia e as Terras Produtivas (em francês,
IFRAC). Concebido por seus idealizadores como "uma passarela
lançada entre o mundo da educação e o da
gastronomia, entre os profissionais da alimentação
e os jovens estudantes", esse instituto coleta e divulga
múltiplas informações tanto em matéria
de formação profissional, de receitas e de experiência
quanto de estudos históricos e pesquisas científicas
sobre o paladar e os sabores.
Se um determinado
produto não pode ser transposto de uma região produtiva
a outra, por outro lado é evidente que as suas qualidades
não podem ser atribuídas unicamente às condições
naturais do meio que o viu nascer. Esse meio é responsável
por aquela produção apenas porque os homens que
nele vivem pacientemente "fabricaram seu território"
ao longo dos séculos passados e continuam a fazê-lo
ainda hoje.
Terroirs
e produtos do terroir
Palavra francesa
muito antiga, freqüentemente sem equivalente em outras línguas,
o terroir designa classicamente uma extensão limitada de
terra considerada segundo o ponto de vista de suas aptidões
agrícolas (Dicionário Robert). Geógrafos
como Pierre George propuseram uma definição mais
precisa ainda da palavra, falando de um conjunto de terras trabalhadas
por uma coletividade social unida por laços familiares
e culturais, por tradições mais ou menos vivas de
defesa comum e de solidariedade de exploração. Com
as transformações vividas pela sociedade francesa
ao longo do século XX, o terroir tornou-se um valor-refúgio
autêntico e o lugar comum de diversas nostalgias e, acima
de tudo, é identificado aos produtos que nele se originam,
para os quais passa a ser um sinal tangível de qualidade
e até mesmo uma verdadeira marca.
Esses produtos
tradicionais, chamados de produtos de terroir, dependem portanto,
pelo menos, tanto das condições naturais quanto
da experiência humana. Tomaremos como prova disso o fato
de que as receitas de terroir, emblemáticas das regiões
onde nasceram, são, em primeiro lugar e acima de tudo,
uma questão de conhecimento, de experiência, como
o famoso cassoulet de Castelnaudary, cuja execução
depende tanto de produtos muito elaborados preparados antecipadamente,
como as carnes em conserva (confites), e de uma habilidade muito
particular, que exige um aprendizado longo e minucioso. Da mesma
forma, seria totalmente errado fazer dos produtos de terroir criações
de sociedades rurais confinadas, voltadas para si mesmas. É
verdade que as tradições agrícolas baseiam-se
em patrimônios culturais locais, mas elas se nutriram também
de aberturas repetidas para o vasto mundo. A inovação
"bem temperada" é um elemento de proteção
da ruralidade e não uma ameaça. Como é o
caso do Piquenchagne da região de Allier, um pão
tipo brioche recheado de pera, maçã, ou marmelo
pochês num leve xarope, aromatizado com canela, uma especiaria
vinda do Oriente.
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Cassoulet
de Castelnaudary
Ingredientes:
feijão branco da região de Lauragais (sul da França)
cozido na água temperada do cozimento do torresmo cortado
em quadrados e pés de porco, buquê de ervas e dentes
de alho. Depois de escorridos e reservando a água do cozimento,
o feijão, o alho e os pés desossados e cortados
em pedaços são misturados e dispostos em uma caçarola
de barro em camadas alternadas com as seguintes carnes preparadas
à parte: ombro, ou lombo de porco conservados na gordura
(confit) ou assados, cortados em pedaços grandes, ou ainda
costeletas de porco douradas na frigideira; confit de ganso ou
pato; lingüiça fresca tostada na frigideira, cortada
em pedaços e disposta por último. A água
do cozimento reservada é despejada sobre os ingredientes
e o conjunto é colocado para cozinhar em fogo médio
o tempo necessário para a redução do líquido
ao ponto desejado de consistência, rompendo periodicamente
a crosta que se forma na superfície para verificar o ponto.
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Finalmente,
e isso é um paradoxo, um produto de terroir só se
torna verdadeiramente como tal quando passa a ser conhecido e
procurado fora da região que o viu nascer. Esta última
condição é, ao mesmo tempo, uma boa coisa
e uma fonte de graves riscos. Ela é uma boa coisa porque
a fama torna-se rapidamente uma garantia de perenidade para um
produto tradicional de qualidade. É uma fonte de riscos
graves também porque o sucesso faz muitas vezes nascer
a vontade de aumentar o ritmo de produção e a qualidade
do produto. Essa intensificação traz o risco de
fazer com que as qualidades fundamentais, que representavam justamente
o valor da produção tradicional, por definição
bastante maltusiana, tornem-se insípidas. A busca do equilíbrio
num contexto como esse mostra-se portanto delicada. Evidentemente,
terroirs e produtos de terroir não são como peças
de museu, de status rigidamente definido pelo senso comum. Ao
contrário, convém insistir na natureza da sua dinâmica
e no fato de pertencerem às espécies vivas. Assim,
a defesa dos terroirs e de seus produtos é tanto uma questão
de vigilância pela preservação de sua autenticidade,
quanto de capacidade de adaptação às evoluções
do mundo.

O restaurante
"Le Grand Véfour", instalado nas galerias do
Palais-Royal desde o século XVIII e ainda hoje considerado
uma das melhores mesas de Paris, é o mais antigo restaurante
da capital francesa (in: Les Français à la Table,
Atlas Historique de la Gastronomie Française, Hachette,
1997).
Para
saber mais: (voltar
ao topo)
Site do Intituto
Francês de Formação e Pesquisa sobre as artes
culinárias, a gastronomia e as terras produtivas: www.ifrac.org
Sites de
alguns chefs:
www.alain-ducasse.com
www.michel-bras.com
www.pierregagnaire.com
Portais
para os apaixonados por gastronomia:
www.isaveurs.com
www.gourmetsvillage.com
www.cuisinons.com
www.meilleurduchef.com
www.magnumvinum.fr
Site banco
de dados "receitas":
www.mamiton.org
Leia também
neste site:
Os
vinhos da França - por Pascal Ribéreau-Gayon
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