O
turismo na França
maio
de 2002
Primeiro destino
turístico mundial em número de pessoas recebidas,
a França (território metropolitano e ultramarino)
recebeu, em 2001, 76,5 milhões de turistas internacionais,
ou seja mais de 10% do volume mundial. Paisagens e sítios
históricos muito variados, um rico patrimônio arquitetônico
e gastronômico, um parque hoteleiro diversificado e uma
bem desenvolvida infra-estrutura de transportes. Esses trunfos
possibilitaram o alcance dessa posição, com a contribuição
de eventos esportivos e culturais de alcance internacional (Copa
do Mundo de Futebol em 1998, grandes festivais de teatro, de música
e de cinema em Avignon, Aix-en-Provence e Cannes, por exemplo).
A economia
relativa ao turismo representa 7% da riqueza nacional e é
um setor chave da economia francesa. Por essa razão, o
governo central e as administrações locais participam
juntos da definição e da aplicação
de uma política para o turismo empregando nesse setor um
grande volume de recursos.
Dados
- A França
é o primeiro destino turístico em número
de turistas internacionais, seguida dos Estados Unidos e da
Espanha: 76,5 milhões de turistas foram recebidos na
França em 2001, ou 1,3% a mais que em 2000 (em 1990,
foram recebidos 52 milhões de turistas).
- Setor responsável
pelo maior superávit da balança de transações
correntes da França com o exterior: 12,4 bilhões
de euros em 2001.
- 734.600
empregos assalariados nos hotéis, cafés e restaurantes
em 2001, 2 milhões de empregos diretos e indiretos.
- 7% do produto
Interno Bruto (PIB).
- 215.000
empresas (hotéis, parques temáticos, operadores
de tours turísticos, restaurantes, etc.) dos quais 94%
possuem menos de 10 empregados.
Fonte: Secretaria
de Estado para o Turismo.
A temporada
turística de 2001
Após
os atentados de 11 de setembro de 2001, a atividade turística
teve seu ritmo reduzido em todo o mundo. Em 2001, os franceses,
que efetuam 90% de seus passeios turísticos na França,
deram preferência à proximidade (as viagens ao exterior
caíram 3,1%). As estadas aumentaram 2,9% em 2001. Entre
estas, as estadas curtas em casa de amigos e familiares aumentaram
3%. O balanço das atividades das empresas turísticas
é contrastante: as agências de viagem tiveram um
ano difícil, assim como os transportes aéreos e
os hotéis; as estradas de ferro e a hotelaria ao ar livre
(camping) tiveram uma boa temporada. Os estabelecimentos de alto
nível, especializados na recepção a turistas
estrangeiros, principalmente americanos e japoneses, sofreram
particularmente no último trimestre de 2001. O início
do ano 2001 e a temporada de verão, entretanto, foram excelentes.
Os
aspectos econômicos
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O reequilíbrio
territorial do turismo
A atividade
turística está distribuída de maneira desigual
pelo território francês: a metade dos empregos assalariados
ligados ao turismo está concentrada atualmente em três
regiões francesas (Ile-de-France, Rhône-Alpes, Provence-Alpes-Côte-d’Azur).
Os lugares mais visitados variam pouco: 12 milhões de visitantes
para o parque Disneylândia Paris, mais de 6 milhões
para a Torre Eiffel e o Museu do Louvre, mais de 5 milhões
para o Centro Georges Pompidou (dados de 2000). Poderes públicos
e profissionais da área esforçam-se para reequilibrar
os fluxos turísticos entre as regiões e distribuí-los
por todo o ano. O "Turismo Verde" (hospedagem em fazendas
e sítios), por exemplo, que permite a valorização
da diversidade das regiões rurais francesas, tem o apoio
do poder público, assim como a diversificação
da oferta turística no litoral ou na montanha. Novas formas
de turismo, como o turismo urbano ou o turismo temático
(cultural, fluvial, industrial, etc.) também vêm
se desenvolvendo.
Para concretizar
essa intenção de distribuir melhor os fluxos turísticos,
são assinados contratos entre o Estado e as coletividades
territoriais (municípios), como os contratos de planejamento
Estado-Região e, nas regiões de montanhas, as convenções
inter-regionais de maciços. A título de exemplo,
a convenção inter-regional do maciço do Jura
prevê o estímulo ao turismo industrial, a renovação
dos centros de alojamentos turísticos coletivos de caráter
associativo, etc.
Órgãos
regionais e locais
- Os comitês
regionais de turismo (CRTs):
25 CRTs encarregam-se da promoção de sua região
em níveis nacional e internacional. Eles fazem o planejamento
do desenvolvimento turístico e estimulam o desenvolvimento
dos circuitos regionais.
Emprego
e formação
Em 2001, enquanto
o emprego assalariado aumentava 2,3% de maneira geral, o emprego
assalariado nos hotéis, cafés e restaurantes aumentou
2,7%, confirmando o dinamismo do setor turístico. Mas,
a metade dos empregos desse setor são sazonais e, portanto,
pouco atraentes. Uma penúria de mão de obra afeta,
principalmente, o setor de hotéis e restaurantes, onde
há um déficit de 100.000 empregos.
Existem, na
França, 900 estabelecimentos de formação
para profissionais de turismo, hotelaria e do ramo de restaurantes
nas mais variadas funções: garçons, cozinheiros,
gerentes de hotel, etc. Essas qualificações são
confirmadas por diplomas do Estado de todos os níveis.
Os novos serviços desenvolvidos no âmbito dos "empregos
para jovens" contam também com medidas para profissionalizar
e perenizar suas funções: criador de "produtos
de baixa temporada" (estadas temáticas que ocorrem
fora da alta estação), de turismo social (viagens
acessíveis aos portadores de necessidades especiais), guarda
do litoral, etc. A melhora das condições de trabalho
e de acolhimento dos trabalhadores sazonais deverá contribuir
também para melhorar a imagem dessas profissões.
A qualidade
da oferta
Além
da profissionalização dos empregos, as empresas
turísticas (restaurantes, hospedagem, lazer, etc.) e os
escritórios de turismo são estimulados a tomar medidas
de normatização, classificação (atribuição
de estrelas aos escritórios de turismo, de acordo com a
amplitude de suas horas de abertura, etc), e até de certificação.
As medidas regulamentares em matéria de higiene e segurança
são objeto de controles regulares da administração.
Além disso, os poderes públicos dão especial
importância à qualidade da recepção:
uma campanha nacional intitulada "Bonjour", voltada
para os profissionais e o grande público, vem sendo promovida
todos os anos há oito anos. Além disso, foram criadas,
em julho de 2001, três missões com o objetivo de
reabilitar o parque imobiliário litorâneo nas regiões
de Aquitânia, Norte-Pas-de-Calais e Languedoc-Roussillon.

A Campanha
"Bonjour" em 2002
A promoção
internacional
A promoção
da França no exterior está apoiada em uma estrutura
perene. Um grupo de interesse econômico, a Maison de la
France (ver quadro), é encarregado dessa missão.
A utilização das tecnologias da informação
e da comunicação também foi estimulada. Assim,
o servidor de reservas on-line RésinFrance (www.resinfrance.fr)
contribui para reforçar a divulgação em nível
mundial da oferta turística francesa.
Os aspectos sociais
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Desde 1936,
os assalariados franceses dispõem legalmente de férias
remuneradas pelas empresas (cinco semanas de descanso remunerado
por ano desde 1982). A redução do tempo de trabalho
para 35 horas semanais para a maior parte dos assalariados também
gerou a multiplicação das oportunidades de desfrutar
de temporadas curtas ou de consumo de lazer. Em 2000, 64,4% dos
franceses saíram de férias (estadas de quatro dias
e mais). Se alguns franceses renunciam às férias,
geralmente o fazem por razões financeiras. Várias
disposições foram desenvolvidas para que o "direito
às férias" fosse concretizado para todos:
- o cheque
de férias: criada em 1982, a Agência Nacional
dos Cheques de Férias coloca à disposição
dos assalariados de renda baixa o "cheque de férias",
que lhes permite ter acesso a uma temporada turística
e a uma série de atividades culturais e de lazer. O cheque
de férias é comprado pelo empregado por uma pequena
parcela de seu valor e é aceito pelos estabelecimentos
de turismo: hotéis, restaurantes, etc. 5,6 milhões
de pessoas utilizaram esse dispositivo em 2001 e 65 milhões
de títulos foram emitidos. O acesso ao dispositivo do
cheque de férias foi estendido às pequenas e médias
empresas de menos de 50 empregados em 1999, e às pessoas
de renda mais elevada em 2001;
- a bolsa
de solidariedade de férias:
durante o ano de 2001, mais de 30.000 pessoas em situação
social difícil tiveram a oportunidade de sair de férias
na França graças a esse dispositivo. A bolsa de
solidariedade de férias foi criada em 1999, em conseqüência
da lei de luta e prevenção contra a exclusão.
Ela reúne empresas privadas da área do turismo,
associações de turismo social e associativo e
comitês de empresas, as empresas públicas de transportes,
as coletividades locais e territoriais e a Agência Nacional
do Cheque de Férias. Os ministérios encarregados
da Juventude, dos Esportes e das Questões Sociais associaram-se
a essa iniciativa. O princípio consiste em colocar à
disposição, a um baixíssimo custo, uma
oferta de estadas a associações de caridade, comitês
de desempregados ou centros comunitários de ação
social para fazer com que famílias em dificuldade social
possam ser beneficiadas;
- o plano
patrimônio:
esse programa, lançado em 1990, permite a renovação
das aldeias e casas familiares de férias administradas
por órgãos sem fins lucrativos graças a
ajudas para investimento. No período de 1990-2000, 100.000
leitos foram beneficiados com esses créditos. Como cerca
de um terço desses leitos estão situados em zona
rural, o plano patrimônio favorece uma distribuição
mais equilibrada da oferta turística e dentro de uma
boa relação custo/benefício.
- o acolhimento
de portadores de necessidades especiais: todo ano é
realizada uma campanha para o acolhimento dos portadores de
necessidades especiais. Criado em 2001, um rótulo "tourisme
et handicap" é atribuído aos estabelecimentos
turísticos com as adaptações adequadas.

O rótulo "tourisme et handicap"
Os
aspectos éticos
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Em direção
a um turismo racional e sustentável
A Organização
Mundial do Turismo (OMT) prevê, para os próximos
anos, a triplicação dos deslocamentos turísticos
mundiais e a sua duplicação na Europa. Com o objetivo
de manter esse fluxo e seu impacto econômico, social e ecológico,
a França deu impulso a uma "política de desenvolvimento
sustentável do turismo na Europa" durante a sua presidência
européia em 2000. O encontro internacional de Paris, em
14 de março de 2002, "Turismo, ética e globalização"
possibilitou a realização de um balanço dos
progressos das instituições públicas e dos
operadores turísticos (desenvolvimento dos locais protegidos,
estudos de impacto dos projetos turísticos, associação
da população local aos projetos, etc.) e das expectativas
do público antes da realização da cúpula
mundial de Johanesburgo para o desenvolvimento sustentável,
em agosto de 2002.
O Governo
francês lançou-se na elaboração de
um código mundial de ética, definido pela OMT e
aprovado em setembro de 1999 em Santiago do Chile. A tradução
nacional desse código deu origem, em setembro de 2000,
à Carta Nacional de Ética e ao rótulo "turismo
e ética". Profissionais franceses comprometeram-se
em respeitar o meio ambiente (recursos naturais, patrimônio
natural e cultural, etc.), em associar as populações
locais aos projetos turísticos, em respeitar as tradições
da região de acolhida e em possibilitar o acesso à
formação das pessoas empregadas.
Reforçar
a cooperação internacional
A França
trabalha também para exportar sua experiência, principalmente
para países do Maghreb, do Caribe, do Oceano Índico
e da Ásia/Pacífico. A França acompanha os
governos ou os grupos profissionais na organização
e no desenvolvimento de seu sistema de formação
para as profissões turísticas.
Os instrumentos
nacionais da política de turismo
O ministério
encarregado do Turismo dispõe de uma administração
central, da Direção do Turismo e de órgãos
satélites financiados em grande parte pelo Estado. A Direção
do Turismo exerce o papel de coordenador e animador e traduz as
orientações governamentais em termos técnicos.
O orçamento para 2002 é de 80,9 milhões de
euros. As regiões e o governo também aplicam recursos
no turismo por meio de contratos de planejamento com a duração
de cinco anos ou de convenções inter-regionais.
O total dessas intervenções chega a 19,06 milhões
de euros para 2002 (203,3 milhões de euros para o período
de 2000-2006).
Órgãos
associados
O Conselho
Nacional do Turismo (CNT): O CNT é um órgão
consultivo de aconselhamento e prospectiva. Ele é presidido
pelo ministro encarregado do Turismo e reúne profissionais,
representantes políticos e responsáveis dos diferentes
órgãos ligados à atividade turística.
Maison
de la France: criada em 1987, ela é encarregada da
promoção turística do território francês
no exterior. Ela reagrupa o Estado, as administrações
das coletividades territoriais e o setor privado. Seus 31 escritórios
estão implantados em 26 países. A contribuição
do Estado para seu funcionamento é de 27,44 milhões
de euros para 2002. Uma dotação excepcional de 4,5
milhões de euros financiou uma parte da campanha mundial
de promoção da França realizada em fevereiro
e março de 2002.
A Agência
Francesa de Engenharia Turística (AFIT): agência
técnica criada em 1993 que reúne nove ministérios,
estabelecimentos públicos, coletividades locais, federações
e associações de toda espécie. Ela realiza
estudos sobre a oferta, sobre os mercados e trabalhos de divulgação
da experiência em prol do desenvolvimento territorial. O
Estado contribui para seu financiamento com 1,94 milhão
de euros em 2002.
O Observatório
Nacional do Turismo (ONT): complementar ao dispositivo público
de observação estatística, ele colhe informações
visando melhorar o conhecimento da atividade turística
e coloca-as à disposição dos profissionais
da área. O Serviço de Estudos e Organização
Turística da Montanha (SEATM) conduz, em parceria com a
AFIT, programas de engenharia turística apropriados à
montanha e a tudo o que lhe diz respeito.
Para mais
informações: (voltar
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Ministério
encarregado do Turismo: www.tourisme.gouv.fr
O essencial da atualidade referente às atividades turísticas,
dossiês, balanços econômicos, publicações,
relatórios, etc.
Maison
de la France: www.franceguide.com
O primeiro portal oficial do turismo francês: todas as informações
sobre a oferta turística na França.
Agência
Francesa de Engenharia Turística: www.afit-tourisme.fr
Informações detalhadas sobre as atividades e a experiência
em matéria de engenharia turística.
Observatório
Nacional do Turismo: www.ont.asso.fr
Dados essenciais sobre o turismo, lista das publicações,
obras essenciais da produção turística, etc.
Agência
nacional para os cheques de férias: www.ancv.com
Tudo sobre o dispositivo cheques de férias.
Federação
Nacional dos Escritórios de Turismo e dos Sindicatos de
Iniciativa: www.tourisme.fr
Federação Nacional dos Comitês Departamentais
de Turismo: www.fncdt.net
Federação Nacional dos Comitês Regionais
de Turismo: www.fncrt.com
Distribuição
regional dos turistas franceses e estrangeiros em 2000 (por diárias,
em hotéis classificados)
Turismo –
parceiros regionais.
Distribuição
regional das diárias na França metropolitana na
hotelaria classificada (em 2000).

O
turismo de ultramar
Em
2000, as Antilhas Francesas (Martinica e Guadalupe), a Guiana,
a Reunião, a Nova Caledônia, a Polinésia
Francesa e Wallis et Futuna receberam 1,6 milhão de turistas,
80% dos quais eram franceses. O turismo gera 32.000 empregos
diretos nos territórios e departamentos ultramarinos.
Fonte1:
Embaixada da França
Fonte2:
Secretaria de Estado para o Ultramar.
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